Café, Sonhos e Desconstruções em fumaça de cigarro
Quarta-feira, Outubro 21, 2009
Distribuía gentilezas e sorrisos sinceros no decorrer de seus dias. Era naturalmente de boa índole. Desde cedo fora educado assim.
Ainda criança, cedia aos amigos sua vez na partida de pelada, no videogame e até na "salada-mista" com a menina de vestido floral.
Na adolescência, emprestava a bicicleta pra irmã, fazendo o percurso até em casa caminhando e por várias vezes assumia o sumiço do doce da geladeira, ainda que sequer tivesse visto. Não vivia assim como uma forma de auto-punição, muito pelo contrário.
Abria a porta para os outros, cedia a vez, fazia mesuras até aos pedintes de ponta de esquina. Fazia com prazer. Suportava as mais intensas provocações, sempre rebatendo com m sorriso de meia bochecha e um delicado "aaah eu discordo disso". Ate mesmo seu caminhado era sutil e silencioso, mesmo carregando no bolso aquele pesado molho de chaves que sempre o acompanhavam.
Agradava crianças e jovens, e os idosos o queriam adotar. Era esse tipo de gente, que se convida pro almoço logo que se conhece, e pro fim de semana antes que a o almoço acabe.
Um dia, vinha entrando com aquele sorriso de sempre, sem gestos exagerados, passos rapidos e silenciosos e a respiração perfeitamente ritmada sob a camisa branca e bem passada com um leve aroma de amaciante de lavanda. Ao chegar no meio do saguão, trocou as flores da mesinha e então abriu lentamente o paletó, deixando brevemente visíveis aquelas linhas bem distribuídas de de silver tape e dinamite, além de um cronômetro digital sobre o coração. Apertou o botão e com um breve clique mandou tudo pelos ares em uma estrondosa explosão.
Misturavam-se nacos de carne, pedaços do teto, paredes e vidro. Ninguém sobreviveu.
Teve uma vida interira de coração tranquilo e gentilezas, mas o coração de um Homem-Bomba bate uma vez só.
Segunda-feira, Setembro 14, 2009
A Mulher[menina] de Setembro

Vinte e cinco se escrevia aos poucos na Mulher de Setembro. Vaidosa como era, escorria entre as folhas do calendário, tentando fugir do fatídico dia. Mas ele enfim chegou. Tão certo quanto ontem foi domingo e amanhã será terça, hoje é o dia.
De vestido florido com laços azuis. Um sorriso desconfiado e uma ou duas críticas - aprendera bem a arte dos remungos com o Sr. de 88 anos desde o nascimento - porém por mais que disfarçasse, ela sabia que um quarto de século é tempo demais em páginas de diário, escritas com canetas de bela cor e colagens de jardim-de-infância. O tempo é uma daquelas visitas que chega (com o perdão do trocadilho) fora de hora.
Mas a Mulher de Setembro sabe, bem no fundo sabe, que o charme da vida é ter uma biografia. Bem longa, de preferência. E que em todas as páginas que restam dela brotem sorrisos histéricos, estrelas no céu da boca e todas as canções, para a trilha sonora perfeita.
[E em todas elas que um outro par de all stars acompanhe]Feliz 25, beibe.
Amo.
Quarta-feira, Setembro 09, 2009
Nove x Nove x Nove
Deveria ser hoje. E é.
Não do jeito planejado, não conforme a conspiração previa. Ainda assim é.
Isso não deixa menos especial, apenas nove vezes diferente e outras nove mais, importante.
No amor, nove em pé - 99 - ainda que tenha longo chão entre os pontos. No sexo, amor reverso e sacana - 69. Encaixe seguro. perfeita sincronia.
Nove é o número da perfeição, do equilíbrio. Pra mim é também um número de promessas. E isso não é só "nove horas" como se diz aqui, em referência à conversa fiada. Dou minha palavra por 9x9x9.
Que venham outros noves, dez, onze e etcéteras.
Amor sem noves fora, 9x9x9, amor.
Domingo, Agosto 30, 2009
Correndo. Correndo.
Aos queridos visitantes dessa casa, desculpem a ausência dos últimos tempos.
Escorro entre os tique-taques da vida.
Me rendi e agora também estou aqui: www.twitter.com/regisfalcao
Tem novidades aqui também: www.flickr.com/photos/rfalcao
E eu prometo que logo logo vou deixar de ser teimoso e vir atualizar aqui.
Desconstruído por Dreamer às 9:59 PM
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Escorro entre os tique-taques da vida.
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Domingo, Julho 12, 2009
FOTOGRAFOS INVADEM CASAS NO PIAUÍ!

A edição deste domingo do Jornal "O Dia" publicou uma excelente matéria assinada pelo jornalista Edson Costa sobre o II Varal de Fotografia realizado pelo Piauí Photo Clube.
A exposição em forma de varal possui modelo informal, onde as fotos são expostas em varais e presas por pregadores de roupa. O objetivo é tanto divulgar o trabalho dos artistas como atingir os mais variados públicos, popularizando a fotografia nos mais diversos lugares. O II Varal contou com 60 fotos e em torno de 20 participantes, tendo se realizado no Encontro dos rios (vide posts anteriores).
Na matéria, cuja capa traz a foto do nosso amigo Márcio Anderson, também merecem destaque para as fotos de Nayara Nery, Maurício Pokemon, Mesquita Diniz e Felipe Mendes, além deste que escreve.
O II Varal foi organizado por João Rufino e Márcio Anderson, que encabeçam o PPC e botam essas câmeras pra funcionar, e se tudo der certo em agosto teremos a III edição.
.Agradecimentos: Edson Costa, Marcio Anderson e João Rufino.
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A reportagem de centro da Revista Metrópole onde aparecem as fotos da Nayara Nery, Regis Falcão, Maurício Pokemon, Mesquita Diniz e Felipe Mendes:

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A linda foto do Márcio Anderson que estampou a capa do Jornal:
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E a minha foto, publicada no mesmo:
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E por fim os participantes do II Varal de Fotografia do Piauí Photo Clube:
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[Vejam também: Meu Flickr]
Segunda-feira, Julho 06, 2009
INGLÊS NO PESCOÇO.
Nas segundas era todo engomadinho. Levantava trinta minutos mais cedo que o de costume, pra poder fazer a barba com zelo.
Nessa ocasião trocava religiosamente as laminas do aparelho. Era dado a superstições bobas e laminas com mais de três usos atraíam má sorte.
Fazia a barba com a paciência e a precisão artística de um escultor. Mirava e deslizava suave a navalha até que julgasse seu rosto digno de uma segunda-feira.
Limpo, barbeado e com um leve tom vermelho-azulado nas maças do rosto, parecia mais profissional que o velho gerente do andar de cima com sua abusada colônia de rosas e o paletó quadrado desbotado de trinta e dois anos de empresa. Sentia-se invencível e ninguém podia contradizê-lo.
Era perfeccionista e de fato não arredava o pé até que estivesse com aquela aparência de coluna de mármore, perfeitamente lisa. Era quase como um pequeno ritual de purificação reservado exclusivamente para as segundas, já que a barba de quarta era consideravelmente menos criteriosa e a de sexta uma verdadeira incógnita desleixada. Talvez quisesse com aquele ato sanguinolento de maltrato às curvas de seu rosto, compensar a falta de limites do fim de semana, como se quisesse se livrar de tudo aquilo de condenável que fizera.
Complementava com uma bela e fina gravata atada com "nó inglês" perfeitamente arrematado. A gravata escolhida à dedo para combinar com a camisa bem passada com vincos laterais bem destacados. Ne quarta feira era a primeira que lhe viesse à mão, e da quinta em diante um "deus dará".
Mas na segunda era assim, barbeado, engravatado, alinhado. Perfeitamente concentrado e funcionário exemplar, até que o monstro da semana lhe devorasse o zelo e a vaidade dando em troca as rugas na testa e à gravata um mal feito nó de "Windsor" que resumia toda a mixórdia de sua conturbada semana.
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[visitem também: www.flickr.com/photos/rfalcao ]
Sábado, Julho 04, 2009
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN CONSTANTINO
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Nascido de amor profundo, entre suor e dor física ele veio ao mundo. Em silêncio, como o caçador que chega sorrateiro com o vento.
Em Lua de sexta, ele nasceu. Traz consigo a Pata do Leão do Norte e o Uivo do Lobo do Inverno.
Que sua jornada seja longa e os perigos não o assustem, bravo Benjamin. Que o mundo, esse grande dragão de dentes afiados, não vença seu escudo, e que o fio de sua espada sempre verta o primeiro sangue.
Voe alto e grite com poderosos pulmões, pois a saga começa.
Bem vindo, Benjamin.
Em Lua de sexta, ele nasceu. Traz consigo a Pata do Leão do Norte e o Uivo do Lobo do Inverno.
Que sua jornada seja longa e os perigos não o assustem, bravo Benjamin. Que o mundo, esse grande dragão de dentes afiados, não vença seu escudo, e que o fio de sua espada sempre verta o primeiro sangue.
Voe alto e grite com poderosos pulmões, pois a saga começa.
Bem vindo, Benjamin.
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[Aos meus amados Carla, Gustavo e o pequeno Benjamin. Parabéns!!]

